O que significam "plataforma PTS" e "plataforma Java" na descrição de um servidor privado, que crônicas existem em quais builds, como distinguir uma da outra dentro do jogo e por que nem mesmo um build PTS de Interlude é o jogo oficial.
Hoje vamos falar sobre o que são PTS e Java em relação ao Lineage 2, em que diferem e em que se parecem, que crônicas do jogo existem em quais servidores e quem cuida disso tudo.
Olhando a descrição de algum servidor gratuito, você com certeza já notou linhas como "Plataforma PTS oficial" ou "Plataforma Java", mas o que isso significa?
PTS significa Public Test Server, servidor público de testes: é assim que os desenvolvedores chamam o build de servidor que instalam antes de cada crônica nova e deixam os jogadores correrem por ele procurando bugs e coisas do tipo. Ou seja, por exemplo, em 2006 a crônica em vigor era C4, as pessoas jogavam em servidores dessa crônica, e os desenvolvedores criaram a Chronicle 5. Antes de lançar a crônica nova, colocam um servidor de testes. Um servidor assim é escrito na linguagem C++.
Embora os donos de servidores PTS declarem que têm uma "Plataforma PTS oficial" e afirmem que tudo funciona como no servidor oficial, isso está longe de ser verdade. Vejamos pelo exemplo do build de Interlude. O build vazado mais próximo de Interlude é o C4; depois só existe o build PTS de Gracia Final. Ou seja, não há código das crônicas C5, Interlude, Kamael, Hellbound e Gracia part 1 & 2. Como conseguir um build jogável de Interlude? É preciso ou acrescentar conteúdo ao C4, ou cortar conteúdo de Gracia Final. Convenhamos, nem um nem outro será uma "plataforma oficial". Passou muito tempo, os desenvolvedores mudaram muita coisa, e ninguém sabe exatamente (em números) como aquilo funcionava justamente em Interlude.
Um servidor Java: de tempos em tempos aparecem habilidosos que reescrevem todo o conteúdo do jogo em outra linguagem de programação, o Java, de onde veio o nome "servidor Java". Embora exista a opinião de que PTS é o melhor que pode haver e Java é porcaria, eu não afirmaria isso de forma tão categórica. Há builds Java bem jogáveis e há builds PTS tortos. A única coisa que dá para afirmar com certeza é que o PTS é escrito em C++ e o Java em Java; o resto veremos abaixo.
Surge uma pergunta razoável: de onde vêm esses builds PTS? É simples: eles vazam dos coreanos. De que maneira, não nos interessa aqui; simplesmente alguém consegue acesso a um servidor e o baixa. Tudo seria fácil se tivessem vazado os builds de todas as crônicas, mas está longe disso. Os builds vazados dá para contar nos dedos, e ainda sobram muitos dedos. Vamos ver essa questão crônica por crônica.
Builds por crônica
- Crônica C1. Refeita a partir do build vazado do C4; não tem muita popularidade.
- Crônica C4. O primeiro build PTS vazado dos coreanos. Servidores com esse build existem, mas não são muito populares. Pode-se dizer que é o mais próximo do jogo oficial dessa crônica. A base para refazer crônicas mais altas.
- Crônica C5. Praticamente não há servidores C5, porque é muito difícil separar o conteúdo dessa crônica de passagem do conteúdo de Interlude: mudanças demais entraram nesse período. Ao longo do tempo apareceu algumas vezes informação sobre aberturas de C5, mas eram servidores estrangeiros, e não tive vontade nenhuma de ir ver o que e como estava feito lá, ainda mais que ninguém sabe como tudo isso funcionava no C5.
- Crônica Interlude. Uma das crônicas mais populares, e uma das mais ambíguas quanto à exatidão da reprodução, porque ninguém conseguiu vazar essa crônica. Os builds de Interlude que funcionam são feitos ou acrescentando conteúdo ao build vazado do C4, ou montados do zero (escritos por eles mesmos ou arrancando pedaços de código), ou serrando o conteúdo sobrando do build vazado de Gracia Final. Ou são builds Java. Apesar da popularidade enorme dessa crônica, falhas nela há de sobra; os jogadores vivem reclamando com os admins, e os admins, sem pensar muito, arrancam pedaços de código do Gracia Final vazado e enfiam no build de Interlude, multiplicando erros que já eram muitos. O argumento deles é: "olhamos nas bases, a skill não mudou do C4 até o Gracia Final, então dá para colocar em Interlude". Ninguém além dos desenvolvedores sabe nem pode afirmar COM EXATIDÃO se algo mudou ou não. Nem de longe todas as mudanças entravam nas notas de patch, e as que entravam não refletem essas mudanças em números.
- Crônica Kamael. A crônica não é popular por ser de passagem. Ninguém refez um servidor PTS para ela; parece que há pouco passou uma informação sobre a abertura de um servidor com essa crônica, e o mais provável é que seja Java. Crônica Hellbound: o mesmo que com Kamael.
- Crônica Gracia Final. O segundo build PTS vazado dos coreanos depois do C4. Absurdamente popular porque caiu logo no domínio público e hoje está na maioria dos sites de compartilhamento; houve um tempo em que toda semana abriam servidores com esse build vazado. É simplesmente recheado de um monte de bugs e erros e em estado virgem é injogável, mas isso não impede a maioria dos admins de arrancar pedaços de código dele e enfiá-los em builds de Interlude, afirmando que a mudança feita é "igual ao oficial, juro". O build que funciona dessa crônica foi feito a partir do vazado, consertando um monte de bugs, e hoje é vendido normalmente.
- Crônica Gracia Epilogue. Feita a partir do build vazado de Gracia Final. Muito menos popular, mas ainda assim existem servidores assim, e bastante.
- Crônica Freya. O primeiro build Java dessa crônica, que eu pessoalmente testei durante um mês. Uma quantidade enorme de bugs e de conteúdo que não funciona; o veredito foi que o build é absolutamente injogável, mesmo depois de acharmos e consertarmos um monte de bugs. Mas os admins não ouviram e lançaram o build, depois do que o servidor fechou direitinho. Não sei se depois refizeram essa crônica a partir do PTS de Gracia, porque com a saída do High Five todos esqueceram Freya; acho que não, e ela ficou mesmo na versão Java.
- Crônica High Five. O terceiro build PTS vazado dos coreanos, o que permitiria lapidar Freya até um estado decente, mas ninguém se ocupou disso, porque o próprio High Five ficou bem popular, e um monte de servidores passou a abrir justamente nessa crônica.
- Crônica GoD. O quarto build PTS vazado, mas como saiu um jogo bem diferente, que pouco lembra aquele Interlude, não vamos considerá-lo aqui.
Como distinguir um servidor PTS de um Java
Como distinguir um servidor PTS de um Java? Muita coisa foi escrita sobre isso em vários fóruns; falaram dos shots, da ordem das mensagens no chat de sistema, do teste "correu e sentou", dos comandos com ponto no começo, mas tudo isso é pouco conclusivo, ainda mais que os desenvolvedores de Java leem tudo isso e consertam. No momento tenho dois jeitos de conferir. O primeiro não é exato o bastante: é a IA dos mobs, que nos servidores Java não existe. Ou seja, sei como este ou aquele mob se comporta em um servidor PTS e comparo o comportamento dele no build testado. Se for igual, provavelmente é PTS; se for diferente, provavelmente é Java. Mais um sinal dado pelos mobs é o respawn. Na maioria dos servidores Java o mob renasce exatamente no lugar onde estava. Os desenvolvedores de Java tentam fazer algo, mas o máximo que conseguiram é que o mob, depois de renascer, se afaste uns dois passos para o lado. E isso vale para todos os mobs, até para os baús, e é muito engraçado ver um baú renascer e deslizar para o lado.
O segundo jeito é mais exato e tem a ver com os pets. Todos lembram, claro, que nos raids a um boss, se o raid boss dá aggro no gato de um warlock, o gato começa a fugir desse boss de forma caótica, correndo em volta do summoner. Isso é servidor PTS; em Java o gato fica parado no lugar levando dano. Mas dá para conferir sem raid boss também. Deixe uma janela em um ponto de teleporte e com a segunda janela teleporte para lá com um summoner com o gato invocado. Em um servidor PTS primeiro aparece o gato no ponto, praticamente na hora, porque todas as operações com pets acontecem do lado do servidor, e só depois de algum tempo é desenhado o próprio summoner. Em um servidor Java, o gato e o summoner são desenhados ao mesmo tempo depois de algum tempo, porque quem controla os pets não é o servidor, e sim o cliente.
Os builds PTS de Interlude também não são perfeitos
E para concluir, algumas palavras sobre os builds PTS de Interlude. Nem tudo neles é tão liso quanto se gostaria, longe disso. Como ninguém sabe exatamente que conteúdo havia nas crônicas C5 e Interlude, os desenvolvedores desses builds ou não conseguiram implementar algo por completo, ou conseguiram, mas não do jeito que deveria ser.
Vou dar alguns exemplos, bem evidentes, com os quais a maioria de vocês já topou, e mais de uma vez. O primeiro exemplo é o raid boss Benom. Antes ninguém conseguia implementá-lo no PTS de Interlude. Agora o acrescentam, mas em lugar nenhum ele funciona como funcionava no oficial.
Mais uma falha evidente é a localização Frozen Labyrinth. Leia o que escrevi na descrição dessa localização; escrevi muita coisa lá, e não faz sentido duplicar aqui.
E menciono mais um ponto: o teleporte do gatekeeper externo das catacumbas para o rift, ou seja, o fato de que qualquer jogador, a qualquer momento, independentemente de ser a semana de luta ou a de vitória e de estar registrado nas catacumbas ou não, podia se teleportar para o rift por adena comum. Quando esse teleporte apareceu e em que crônicas o tiraram, e se tiraram mesmo, ninguém sabe, e em muitos builds atuais não há essa possibilidade.
E a última coisa. Mesmo que no servidor esteja escrito claramente que eles usam tal build PTS comprado, isso ainda não quer dizer nada. Os admins podem comprar um build, instalá-lo e depois parar de pagar os upgrades, e depois da data em que desistiram do suporte aquilo já não será aquele build, e sim outro servidor. E ainda bem se eles mesmos não mexeram: muitos admins, depois de largar o suporte, começam a editar o conteúdo por conta própria, e nem sempre com sucesso, introduzindo mais e mais mudanças a pedido e por exigência dos jogadores. Até certo ponto isso se justifica, mas há um ponto sem volta depois do qual os jogadores se decepcionam com o servidor e começam a sair.
Não é preciso ir longe atrás de exemplos; aqui vão só algumas das mudanças que os próprios admins fazem: desligar a experiência em party se os níveis dos jogadores diferem em 20 ou mais (na verdade isso só foi feito na crônica Kamael), mudar como se obtêm as skills de augment dos diferentes tipos de life stones, mudar o funcionamento das skills obtidas por augment, mudar o funcionamento de algumas skills básicas dependendo de onde e em quem são usadas, colocar zonas PvP em alguns bosses e muito mais; você com certeza já topou com isso.